8 - Edição 8
Sou Zero! E dai?
por Teresa Labate

Ops... A ansiedade anda pegando pesado comigo...

Ansiedade? What fuck?

O que seria estar ansiosa? Estar num permanente estado de espera por algo que nunca vem e sentindo uma emoção tremenda como se o que está por vir fosse algo grandiosamente bom ou ruim?

Mas, pô, não vem nada! Isso bastaria para “desarmar” essa coisa.

Mas, nem é tão simples. Há razões lá dentro... No fundo do nosso baú... Ou seria do nosso poço?

O QUE ANDO ESPERANDO POR TODA UMA VIDA QUE NUNCA VEM?

Como se eu soubesse... Como se eu não soubesse... Será que sei? Será que é a duvida entre saber ou não saber a causa da ansiedade? Estaria eu ansiosa para conhecer a mim mesma? E apenas isso?

A ansiedade, de uns tempos para cá, nem tem vindo sozinha: ela adora carregar junto a depressão. Ela finge que não, mas eu a vejo, quando me pego chorando dentro de uma loja de departamentos por motivo aparente nenhum... Quando me vejo divagando e nem sequer escutando o que estão falando á minha volta, como se minha cabeça estivesse se perdendo num vazio imenso...

Eu não sou dispersa, eu não tenho razão para estar chorando.E qualquer médico iria me convencer que tenho uma razão para isso. Por isso desisti dos médicos...

Menos de uma... Nem falo o nome por questões éticas... Ela me convenceu que não precisamos ter uma razão para estarmos assim, mesmo que esta razão exista.

Illusions ... Mr. Anderson!

Fomos todos condicionados a ter um paraíso inexistente do lado de fora de nossos invólucros... Talvez meu interior esteja chorando não sem motivo como eu interpreto. Ele chora por que não "vê" o paraíso prometido.

Por que não há concordância entre o que faço e o que recebo de volta? É como se eu jogasse uma bola na parede e voltasse um melão, ou uma meia suja...

Por que insisto nessa psicodelia?Por que me faço crer que tudo isso é real fora de mim? Lutar pela sobrevivência? Puts! Viver. Apenas viver!

Por que temos que lutar por algo que existe? Já foi conquistado no primeiro inspirar. Sobrevivência? Vivemos de qualquer maneira, e como for. Das condições mais subumanas até as mais abastadas o ser humano não morre, pelo menos não tão fácil.

Por que tenho medo da morte, então, quando estou ansiosa? No sense! Ao nascer recebi (e você recebeu também) a liberdade, a verdade e a paz... E perdemos tudo quando começamos a idealizar o amor... Perdemos tudo quando esperamos muito mais sermos amados que amar...

Lembrei São Francisco de Assis e sua famosa oração... Meu! Grandes verdades... Grandes verdades!!! Muito melhor amar que ser amado, muito melhor consolar, do que ser consolado...Por que realmente é dando que se recebe. Não dos outros... Nada do lado de fora... Nesse paraíso de mentiras... Mas de dentro...

O exercício da liberdade, o bom uso da paz, a prática da verdade está em doar para o lado de fora o que foi dado e abunda no lado de dentro.

Penso nas causas. Nas causas da liberdade. Nos milhares de escravos pelo mundo... Escravos de vícios, de regras, de preconceitos... Acorrentados da ilusão das idéias, dos moldes, dos mitos..

.Illusions..

.Porque o Universo é finito e termina nos limites de nossa própria casca...O resto é Ilusão... Ou milagre Divino...

O sol no céu: milagre. A opinião alheia: ilusão.

Quem dera todo o amor fosse igual o da Trinity e do Neo... Mas na verdade tudo mais se parece com o amor do The Wall, ou da Padmé e seu Darth Vader... O amor que sufoca, espreme cobra, mata.

A propósito: acho que eu morri. E já faz algum tempo. Primeiro agonizei. Depois o golpe fatal: e morri.

Calma. Você não está “falando” com um fantasma... Tem uma lógica matemática que explica isso, e torna tudo morto, porém imortal: O zero.

Viramos Zero.

O Zero em si não é nada. Ele não aumenta, nem subtrai... Ele não altera um valor positivo, nem um negativo. Ele existe inexistindo.

Você soma zero ao seu salário e nada muda. Subtrai zero da sua geladeira e ela continua ali, "imexível" ...

O zero é inofensivo enquanto zero! Você acorda zero e dorme zero e o dia passa tranqüilo de maneira absurda. Você não perde, você não ganha... Você vive mais um dia... Sem acréscimos ou subtrações, sem perdas, sem ganhos sem apegos.

O mal do zero é a companhia. Se você juntar ele ao 1: não tem mais zero, mas um menos 10 ou um mais 10. Isso pode ser um grande risco... E você deve estar torcendo para que o mais dez sobreviva e morra o menos dez. Faça isso não, que podem ser menos 10 problemas mais dez preocupações!

O que determina não é o zero e o 1.. É a vida. Melhor ser sempre zero. Zero bom. Zero ruim... (o tão almejado Nirvana?)

Zerar as finanças pode ser desagradável, mas zerar as tristezas... Humnmmmm..

E o zero se ilude e se une ao 1, ao 2 , ao 3... E passa a somar, multiplicar, diminuir, dividir...

Eu estou zero.

Zeros amigos (puts, desculpa, minha estupidez de sagitariana, não me permite calar), zero motivações (mais estupidez sagitariana), zero!
E toda vez que um, ou dois se juntam deixo de ser zero e isso me tira a paz.

E o zero a esquerda? Há uma semana atrás (sei lá) fiquei zero á esquerda, encostada na pia fazendo hot-dogs para os cães... Eu sou a mais estúpida! Faço jus ao cavalo que há em meu centauro!

Mas mesmo um zero à esquerda é zero. Estavelmente zero. As pessoas têm fome de salsicha, e não de amizade. Elas querem comer e beber, não das tuas idéias ou da tua companhia... É o jogo dos números. O jogo dos uns querendo ser dois ao se somarem, nessa equação o zero não serve para nada...

O Zero fica à esquerda (à margem) como um vassalo sem senhor. Servindo hot-dogs, servindo seus ouvidos para conversa inútil que não acrescenta, nem diminuiu um zero.

Mas todo zero é 1. É zero por fora, mas existe: então é 1 zero.

Não há zero zeros em 1 zero. O zero é útil para os uns... Que se somam à sua volta, que se dividem, que se subtraem, que se multiplicam? Ops, nem tanto!

E vou vivendo zero dentro de mim. ...

Não está no zero a minha conta do banco. Ela oscila entre valores negativos e positivos (mais negativos)... Nem está zerada a minha cota de paciência (embora tenha se tornando um hábito mesquinho e desagradável à minha volta, escutar que eu sou e estou cada dia mais uma sagitariana estúpida, grossa e sem tato).

Obrigada por me rotularem. É uma grande honra para eu ver pessoas que não admitem rótulos, que se dizem sem preconceitos estarem me tratando com tanta “lisonja” (depois eu que sou grossa!)  Eu pelo menos não sou uma mentira.
Um feixe de eufemismos.
.Um baluarte de vaidades.

Podem ter certeza, se eu me posicionar como a favor ou contra, com ou sem rótulos, com ou sem preconceitos, essa minha grosseria me garante alguma credibilidade, ainda...

Quanto aos sutis vão se danar em sutilezas.

A melhor coisa que pode acontecer num ser zerado como eu é poder falar o que penso sabendo que isso nem soma nem subtrai amigos. Ou conceitos... Apenas os pré-conceitos aos quais já me acostumei.

Zerei geral... Estou de volta o meu lugar predileto do gráfico. "O encontro das origens", o marco de onde partem x, y e numa visão mais avançada até o z...

E que partam (pra pqp) que sou zero estático e isso afugentou a tal da ansiedade. Zeros não têm porque ficarem ansiosos... Sou ponto de partida e não de chegada. Sou ponto de origem e não o que se origina... Me basta ser zero.

O x, o y, o z, se preocupam em fazer, eu fico estática. Pensando. Ou não pensando nunca...O zero é estúpido porque ele não interage. Ele apenas reage. Originam-se boas coisas... Tenho minha opinião... Mas estou zero.

E zero agora a ansiedade. Ela se foi...Coitadinha se assustou.

Você que lê. Também já deve ter ido... Não ainda? Está aqui? Que bom... Talvez você também esteja, ou seja: zero. E como todo bom zero que se preze: vamos-nos zerar-calar agora.Não temos nada para pensar, como em nossos companheiros, namorados, nossos amigos, nossos apegos. E não vamos mais nos tornarmos ansiosos olhando para cima e vendo o +1, +2... Ou para baixo para ver o -3, -4...

Paz, liberdade, verdade... ZERO.


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