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7 - Edição7 |
Aconteceu em 2004
por Victor Farinelli |
Colunas de fim de ano (ou de começo) dificilmente saem do velho estilo balanço geral, com o resumão de tudo ou de alguns pontos mais importantes do ano. Essa não vai ser diferente, e então, vamos aos destaques de 2004, na opinião deste humilde comentarista:
Cinemão
O Ultimo Samurai, O Dia Depois de Amanhã, Capitão Sky e o Mundo do Amanhã, Mulher-Gato 1, Homem-Aranha 2, O Senhor dos Anéis 3, enfim, tudo já foi escrito sobre esses, são até bons filmes, nem estamos discutindo isso, mas a postura da coluna é de falar um pouco mais dos filmes que você vai ouvir falar menos nas revistas especializadas porque o jabá deles é menor. Assim, palmas pro novo Tim Burton em Peixe Grande, prá estréia do mexicano Iñarritu nos EUA com o angustiante 21 Gramas, prá mais um delírio de Bertolucci em Os Sonhadores, pro irlandês Em Nome de Deus, que passou batido nos cinemas de Santos, mas que fez sucesso no mundo inteiro. Enfim, palmas pra muita gente boa que os santistas tiveram pouca oportunidade de ver.
Queda Brasilis
Depois de um 2003 perfeito, o cinema nacional deu um inesperado porém compreensível passo atrás – e essa definição aparentemente contraditória se justifica por um fator bem simples, a maior participação da Globo Filmes nas principais produções brasileiras deste ano. A queda foi inesperada, embora a arrancada da Globo ao cinema fosse bem previsível, ainda mais que a rede carioca percebeu que cinema dá dinheiro. O problema é que a qualidade técnica que esse investimento levou teve efeito inversamente proporcional na narrativa. A Globo transformou alguns filmes que poderiam ser brilhantes em noveletas de duas horas – Olga e A Dona da História são exemplos claros disso. Outro exemplo, o pior de todos, é Sexo, Amor e Traição, que até na divulgação usava sua linguagem de novela pra atrair o público – ignorando o fato de o filme ser um plágio escarrado e mal-feito do bom mexicano Sexo, Pudor e Lágrimas. Mas uma coisa não se pode negar, nunca se investiu tanto em cinema no país como agora com a participação global, resta apenas direcionar essa verba toda pra produções com linguagem de cinema. Alguns aplausos contidos prá filmes nacionais menos novelescos: Benjamim, Cama de Gato, Do Outro Lado da Rua e Como Fazer um Filme de Amor.
Cine en español
Já o cinema em castelhano está em alta. Com grandes produções argentinas e espanholas, o mercado do cinema pode dizer que os filmes em língua inglesa já têm um concorrente à altura – tanto é assim que muitos estúdios em Hollywood estão comprando direitos dos filmes latinos prá montar versões americanas, geralmente mais pobres, caso de 171, versão meia boca do ótimo argentino Nove Rainhas. Aplausos especiais para Segunda-feira ao Sol, com atuação soberba de Javier Bardem, e La Niña Santa, segundo filme da promissora Lucrecia Martel, destaque em Cannes este ano. Também falam espanhol os dois favoritos ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2005: Diários de Motocicleta (obra-prima do diretor brasileiro Walter Salles) e A Má Educação (um Almodóvar menor, embora um Almodóvar menor ainda seja melhor que o melhor de muita gente) – vale também citar o mexicano Gael Garcia Bernal, protagonista de ambas as películas, que tem duas excelentes chances de ser o primeiro latino-americano a levar o Oscar de melhor ator. Outros filmes hermanos que fizeram seu barulho no Brasil, o chileno Machuca, aclamado na Mostra de Cinema de São Paulo, e o uruguaio Whisky, premiado no Festival de Gramado.
Animações
Não há nenhum segmento da indústria de entretenimento que esteja crescendo tão vertiginosamente quanto o das animações – seja prá cinema ou qualquer outro meio. Em 2004, os fatores positivos foram a multiplicação da bilheteria e o salto de qualidade das produções, uma bem relacionada à outra. Destaque para Procurando Nemo, com potencial prá clássico, Shrek 2, que fortaleceu a trilogia, e Os Incríveis, recém estreado e já um sucesso de crítica e público. Também em 2004, começou a reação européia no ramo das animações. A França lidera a contrapartida do Velho Mundo, com boas e divertidíssimas produções, como o hilário As Bicicletas de Belleville.
Top 7
Como não poderia deixar de ser, a coluna se dá o direito de ranquear os sete principais filmes que do ano, na parcial visão deste colunista que vos escreve
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7o. lugar
Fahrenheit 11 de Setembro
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Michael Moore em um novo sucesso, mas com o discurso de sempre. Apontou seu alvo para Bush e acertou na Palma de Ouro em Cannes. Pena que o polêmico documentarista não obteve nas urnas americanas o mesmo resultado das bilheterias.
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6o. lugar
Brilho Eterno de um Mente Sem Lembranças
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Mais um filme para reafirmar Charles Kaufman como o roteirista do momento e Jim Carrey como o ator versátil que pouca teimava em acreditar que ele não poderia ser. Prova que o gênero comédia romântica não precisa ser piegas para atingir os corações.
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5o. lugar
Dogville
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Lars von Trier soltando os cachorros contra a sociedade norte-americana. Em um cenário genial, o diretor dinamarquês escancara a forma estapafúrdia com que a cultura americana aceita a falta de caráter, seja pro mal ou, pasmem, pro “bem”. Nicole Kidman maravilhosa. |
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4o. lugar
As Invasões Bárbaras
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Estreou no final de 2003, é verdade, mas foi em 2004 que o filme conseguiu a aclamação merecida, que o levou até o Oscar de melhor filme estrangeiro. Dennys Arcand cutuca mais uma vez a cultura ocidental e dá uma aula de como conduzir uma tragicomédia. |
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3o. lugar
Kill Bill
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Quentin Tarantino em estado puro. Os dois volumes da saga da noiva vingadora é o melhor que os EUA podem produzir em termos de entretenimento, e isso Tarantino faz sem os orçamentos dos mais volumosos. Uma Thurman volta a ser a queridinha da América indie. |
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2o. lugar
Adeus Lenin
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Outro filme do final de 2003 que se estabeleceu nos cinemas nacionais até o meio desse ano, devido ao enorme sucesso. Wolfgang Becker surge como o segundo grande nome da Popscene alemã em ascensão, logo atrás de Tom Tykwer, de Corra Lola Corra. |
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1o. lugar
Diários de Motocicleta
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Uma obra-prima de Walter Salles. A habilidade do diretor brasileiro em retratar a figura de Che Guevara, sem rebaixar o mito, mas focando no homem, mostrando até suas fraquezas e seus equívocos, é o suficiente prá defini-lo como um dos grandes do cinema mundial na atualidade. |
Acontecerá em 2005
E pro ano que vem, bem, mais blockbusters, mais até que em 2004 – George Lucas promete encerrar mais uma série de sua saga, a história pregressa de Darth Vader terá um fim no meio do ano, quando também devem aparecer novos episódios de X-Men e As Panteras. Mas a coluna seguirá resignada aos grandes sucessos fora do mainstream, e nesses, temos também grandes esperanças. Dois brasileiros prometem novos filmes prá esse ano – Jorge Furtado (de O Homem que Copiava) e Fernando Meirelles (de Cidade de Deus), e são motivos prá acreditar que o país vai voltar à velha forma esse ano. Lars von Trier lança Manderlay, a continuação de seu ataque à América. Outros diretores enclausurados devem sair da toca com novidades, entre eles, Cameron Crowe, Paul T. Anderson e Guy Ritchie. É esperar pra ver
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