| Os egípcios foram uma das principais civilizações da Antiguidade e sua história é a mais longa de todas as civilizações antigas estendendo-se, quase desde aproximadamente o ano 3.000 a.C. até o século IV d.C no nordeste africano (margens do rio Nilo).
Destacam-se na astronomia, criando o calendário lunar; na Arquitetura, construindo palácios, pirâmides e templos; na Matemática, lançando os fundamentos da Geometria. Desenvolvem a escrita hieróglifa. Na medicina, os procedimentos de mumificação, proporcionaram importantes conhecimentos sobre o funcionamento do corpo humano.
Por ser uma região desértica, o rio Nilo ganhou extrema importância para os egípcios. Era utilizado como via de transportecom barcos de mercadorias e pessoas. As águas do rio Nilo também eram utilizadas para beber, pescar e fertilizar as margens, nas épocas de cheias, favorecendo a agricultura.
Possuíram uma organização social complexa e exibiram realizações culturais bem ricas além de produzirem uma escrita bem estruturada.
A sociedade dividia-se em várias camadas, sendo o faraó era a autoridade máxima. Ele chegava a ser considerado um deus na Terra.
Sacerdotes, militares e escribas (responsáveis pela escrita) também ganharam importância na sociedade que era sustentada pelo trabalho e impostos pagos por camponeses, artesãos e pequenos comerciantes.
Os escravos também compunham a sociedade egípcia e, geralmente, eram pessoas capturadas em guerras. Trabalhavam muito e nada recebiam por seu trabalho, apenas água e comida.
A economia baseava-se sobretudo na agricultura que era realizada, principalmente, nas margens férteis do rio Nilo. Também praticavam o comércio de mercadorias e o artesanato. Os trabalhadores rurais eram constantemente convocados pelo faraó para prestarem algum tipo de trabalho em obras públicas (canais de irrigação, pirâmides, templos, diques).
A escrita também foi algo importante para este povo, pois permitiu a divulgação de idéias, comunicação e controle de impostos.
Existiam três formas de escrita:
- hieroglífica: mais complexa e formada por desenhos e símbolos. Foi um instrumento que possibilitou aos egípcios registrarem dados diversificados de sua cultura: da vida cotidiana da população até as proclamações dos sacerdotes e decretos reais. Traduzindo ao pé da letra, "hieróglifo" significa "inscrição sagrada". Outras formas de escrita gravavam textos mundanos; os hieróglifos aspiravam a eternidade. Entalhados e meticulosamente gravados, os hieróglifos geralmente associavam símbolos fonéticos com imagens de objetos reais. Não havia vogais, e predominava pouco espaço. Leitores dependiam do contexto e do senso comum para ajudá-los a decifrar o significado. Essa escrita era comumente lida da direita para a esquerda, ou de cima para baixo. Mas sempre houve exceções;
- demótica : mais simplificada e usada em cartas, registros, documentos, enfim, usada no dia-a-dia. Gravada predominantemente no papiro;
- hierática: usada pelos sacerdotes em textos sagrados. Geralmente gravada em papiro, madeira ou couro.
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As paredes internas das pirâmides eram repletas de textos que falavam sobre a vida do faraó, rezas e mensagens para espantar possíveis saqueadores. Uma espécie de papel chamada papiro, que era produzido a partir de uma planta de mesmo nome, também era utilizado para escrever.
O aspecto mais significativo desta civilização foi o religioso que se tornou base para todos os feitos desta sociedade.
A religião egípcia era repleta de mitos e crenças interessantes. Acreditavam na existência de vários deuses (muitos deles com corpo formado por parte de ser humano e parte de animal sagrado) que acreditavam inerferir na vida das pessoas. Realizavam oferendas e festas em homenagem aos deuses com o objetivo agradar aos seres superiores para receber auxílo nas guerras, colheitas e momentos da vida.
Cada cidade possuía deus protetor e templos religiosos em sua homenagem.
Por acreditarem na vida após a morte, mumificavam os cadáveres dos faraós colocando-os em pirâmides. O objetivo era de preservar o corpo para a vida seguinte. Esta seria definida, segundo crenças egípcias, pelo deus Osíris em seu tribunal de julgamento. O coração era pesado pelo deus da morte, que mandava para uma vida na escuridão aqueles cujo órgão estava pesado (que tiveram uma vida de atitudes ruins) e para uma outra vida boa aqueles de coração leve.
Muitos animais também eram considerados sagrados pelos egípcios, de acordo com as características que apresentavam : chacal (esperteza noturna), gato (agilidade), carneiro (reprodução), jacaré (agilidade nos rios e pântanos), serpente (poder de ataque), águia (capacidade de voar), escaravelho (ligado a ressurreição).
Pela ótica religiosa: interpretaram o universo, justificaram a sua organização social e política e determinaram o papel de cada classe social. Assim sendo, foi também este aspecto religioso que orientou toda a produção artística que tiveram.
A arte egípcia concretizou-se, desde o seu início, em túmulos, estatuetas e vasos deixados junto aos mortos. As principais realizações arquitetônicas do Egito foram com certeza, as construções mortuárias.
As jóias eram feitas em ouro e pedras semipreciosas, incorporando formas e desenhos, de animais e de vegetais
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As tumbas dos primeiros faraós foram cópias exatas das casas em que moravam. Já as pessoas sem importância social foram sepultadas em construções retangulares mais simpels denominadas mastabas. Entretanto, as mastabas deram origem às pirâmides construídas mais tarde.
Por volta de 2780 a.C., a ordem da estrutura social egípcia já fazia com que as classes sociais começassem a ganhar rígidos limites.
Na cerâmica, as peças ricamente decoradas do período pré-dinástico foram substituídas por belas peças não decoradas, de superfície polida e com uma grande variedade de formas e modelos, destinadas a servir de objetos de uso cotidiano.
Durante as primeiras dinastias, construíram-se importantes complexos funerários para os faraós em Abidos e Sacará.
Nesse tempo e dentro deste contexto social iniciou-se o Antigo Império com o soberano Djézer (3200- 2200 a .C.). Esse faraó exerceu o poder de forma autoritária e transformou o Baixo Egito, com capital em Mênfis, no centro mais importante do reino.
Deste período resultaram importantes monumentos artísticos, que atestaram a grandiosidade e a imponência do poder político e religioso do faraó. A pirâmide de Djeze, na região da Sacará, construída pelo arquiteto Imotep, foi talvez a primeira construção egípcia de grandes proporções.
Quéops, Quéfren e Miquerinos foram três importantes reis do antigo império, que edificaram no deserto de Gisé as pirâmides mais famosas e mais admiráveis do ponto de vista arquitetônico.
A maior delas, a de Quéops, tem 146 metros de altura e ocupa uma superfície de 54.300 metros quadrados. Sem nenhuma espécie de argamassa entre os blocos de pedra que formam suas imensas paredes, este monumento revela o domínio que os egípcios demonstraram em sua técnica de construção.
Junto às essas três pirâmides está a esfinge mais conhecida do Egito que não foi construída com blocos quadrados, como as pirâmides e templos os quais guarda, mas esculpida na rocha bruta.
Seus escultores lhe deram a cabeça de um homem (alguns dizem ser de uma mulher) e um corpo de um leão.
É uma obra gigantesca, com 20 metros de altura e 74 metros de comprimento. Apresenta uma das mais fantásticas expressões faciais.
Ela é mais antiga que as pirâmides e teria sido construída por Quéfren. A ação erosiva do vento e das areias do deserto deu-lhe, ao longo dos séculos, um aspecto enigmático e misterioso.
Nota-se também que a arte egípcia foi bastante padronizada, não dando margem à criatividade ou imaginação pessoal. Os artistas eram criadores de uma arte anônima e a obra deveria revelar um perfeito domínio das técnicas de execução e não do estilo do artista.
Na pintura e nos baixo-relevos existiam muitas regras a serem seguidas. Dentre elas a “lei do frontalidade” - rigidamente obrigatória. Esta lei determinava que: o tronco da pessoa fosse representado de frente, enquanto a cabeça, pernas e pés eram vistos de lado.
De acordo com a sua convenção, a arte não deveria apresentar uma reprodução naturalista que sugerisse ilusão de realidade. Assim, diante de uma figura humana retratada frontalmente, o observador não poderia confundí-la com o próprio ser humano, mas sim, reconhecer que se tratava de uma representação.
Porém, foi a escultura que ganhou as mais belas representações no Antigo Império. Mesmo sob o jugo de tantas convenções, esta arte desenvolveu uma expressividade surpreendente.
As estátuas revelam dados particulares do retratado como: fisionomia, traços raciais e condição social.
A escultura em relevo servia a dois propósitos importantes: glorificar o faraó (feita nos muros dos templos) e preparar o espírito em seu caminho até a eternidade (feita nas tumbas).
Durante o Médio Império (2000 a 1750 a.C.) o convencionalismo e o conservadorismo das técnicas de criação voltaram a produzir esculturas e retratos estereotipados que representavam a apar~encia ideal dos sêres - principlamente dos faraós - e não seu aspecto real.
Foi no Novo Império ( 1580 a 1085 a.C.) que o Egito viveu o apogeu do seu poderio e sua cultura. Os faraós reiniciaram as grandes construções. Destas as mais conservadas são os templos de Carnac e Luxor, ambos dedicados ao deus Amon.
Esteticamente, o aspecto mais importante desses templos é um novo tipo de coluna, trabalhada com motivos tirados da natureza, como o papiro e a flor de lótus.
Dentre os grandes monumentos funerários deste período, um dos mais importantes é o túmulo da rainha Hatshepsut, que reinou de 1511 a 1480 a .C. durante a minoridade de Tutmés I. Trata-se de uma construção imponente e harmoniosa. O que contribuiu muito para a beleza desta obra é a maneira como foi concebida: a montanha rochosa que lhe serve de fundo constitui parte integrante do conjunto, de tal forma que há uma profunda fusão da arquitetura com o ambiente natural.
Na pintura surgem criações artísticas mais leves, e de cores mais variadas que as dos períodos anteriores. A postura rígida das figuras é abandonada, e elas parecem ganhar movimento. Chega até a ocorrer desobediência à severa lei da frontalidade.
Essas alterações foram causadas por mudanças políticas promovidas por Amenífis IV. Este soberano neutralizou radicalmente o grande poder exercido pelos sacerdotes, que chegavam a dominar os próprios faraós.
Com a morte de Amenófis IV, os sacerdotes retomaram seu antigo poder e passaram novamente a dirigir o Egito ao lado do faraó, Tutâncamon.
Este novo faraó morreu com apenas 18 anos de idade. Na sua tumba no vale dos Reis, o pesquisador inglês Howard Cartes encontrou, em 1922, um imenso tesouro.
O túmulo desse faraó é uma grande construção formada por um salão de entrada, onde duas portas secretas dão acesso à sala sepulcral e à chamada câmara do tesouro. O tesouro aí encontrado era constituído de por vasos, arcas, um rico trono, carruagens, esquifes e inúmeras peças de escultura, entre as quais duas estátuas de quase dois metros, representando o jovem soberano.
A múmia imperial estava protegida por três sarcófagos: um de madeira dourada, outro também de madeira, mas com incrustações preciosas, e, finalmente, o que continha o corpo do faraó, em ouro maciço, com aplicações de lápis-lazúli, coralinas e turquesas.
Após o reinado de Tutancâmon, os reis da dinastia seguinte se preocuparam em expandir o poderio político do Egito. Essa expansão foi conseguida por Ramsés II. Em consequência, toda a arte de seu reinado foi uma demonstração de poder. Isso pode ser observado nas estátuas gigantescas e nas imensas colunas comemorativas dos feitos políticos desse soberano.
Data também dessa época a utilização de hieróglifos como elemento estético. Eles começaram a ser esculpidos nas fachadas e colunas dos templos com a intenção de deixarem gravados para a posteridade os feitos de Ramsés II. Assim, passaram a fazer parte da ornamentação das próprias obras arquitetônicas.
O pensamento, a cultura e a moral egípiciosforam baseadosem um profundo respeito pela ordem e pelo equilíbrio. A arte pretendia ser útil: não se falava em peças ou em obras belas, e sim em eficazes ou eficientes.
Após a morte de Ramsés II, o poder real tornou-se fraco, e o Império passou a ser governado pelos sacerdotes. Com isso, houve uma estabilidade apenas aparente, e as ameaças de invasão acabaram se tornando realidade.
O Egito foi invadido sucessivamente pelos etíopes, persas, gregos e, finalmente, pelos romanos. Essas invasões aos poucos foram desorganizando a sociedade egípcia e consequentemente as suas artes, que influenciada pela dos povos invasores, foi perdendo as suas características e refletindo a própria crise política do Império. |
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